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quarta-feira, 29 de maio de 2019

COMO ANDA SUA SAÚDE PSICOLÓGICA?




 Josiane Rolim
Você já parou para refletir sobre isso! Geralmente damos importância a uma dor de cabeça, uma falta de ar, uma gripe, e quantas vezes você parou para analisar suas emoções. Sabe aquele dia que você fica triste do nada, não tem ânimo para ir trabalhar, levantar da cama nem cogita, pois, você nem pregou o olho a noite anterior. Isso é uma alerta de que sua saúde mental não está bem. Mas, na maioria das vezes você vai ignorar isso, e depois de um tempo além do que foi citado, você pode ter pensamentos que aqui irei chamar de “negros”, como: não sirvo para nada, ninguém gosta de mim, ninguém vai sentir minha falta, não preciso viver, e neste momento vai passar inúmeras coisas na sua cabeça e você não vai conseguir controlar. Porque estará abalado psicologicamente e assim as emoções, os comportamentos e os pensamentos ficam mais fortes podendo intensificar para pensamentos “suicidas” e aí, você perderá o controle, podendo até tentar algo contra própria vida, para diminuir uma dor, sim uma dor tão grande que não cabe dentro do peito. Quero lhe informar que para essa dor existe uma saída. Busque ajuda.



Josiane Rolim CRP 20/08300 Psicóloga Clínica, Especialista Cognitivo Comportamental, Especializando em Neuropsicologia.


terça-feira, 3 de julho de 2018


Escutando quem cuida: quando o cuidado afeta a saúde do cuidador em saúde mental


Maria Lovâni Pereira Gomes
José Carlos Barboza da Silva
Eraldo Carlos Batista

O objetivo com este estudo foi compreender as implicações que as atividades de cuidado têm na vida
dos cuidadores de um familiar em sofrimento mental. Utilizando uma abordagem qualitativa, a pesquisa foi realizada com seis cuidadores de ambos os sexos; a coleta dos dados ocorreu por meio de entrevista semiestruturada; e a análise foi feita com base nos princípios teóricos da Análise de Conteúdo de Laurence Bardin. Buscando a similaridade nas experiências, os relatos foram agrupados em dois temas de análise: o familiar tornando-se cuidador e a saúde dos cuidadores. Foi possível perceber que o processo de adoecimento psíquico acarreta mudanças em todo o sistema familiar, mas que o cuidador principal é o que mais sofre os impactos dessas mudanças e, na maioria dos casos, não tem com quem compartilhar esse sofrimento.



domingo, 3 de abril de 2016


QUALIDADE DE VIDA E SAÚDE MENTAL

Por: Eraldo Carlos Batista


Nos dias atuais o tema qualidade de vida está sempre presente nos meios de comunicação, seja nas revistas, nos jornais e telejornais e nos programas de TV. Sempre encontramos debates sobre: alimentação saudável, exercícios físicos, sono, etc. Entretanto, pouco se refere a saúde mental como componente da qualidade de vida. Com isso, o que vemos é o aumento dos casos de ansiedade, depressão, estresse entre tantos outros problemas ligados a questões psicológicas e emocionais. Mas será que as pessoas sabem realmente o que é saúde mental? A Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que não existe definição "oficial" de saúde mental. De forma simplificada pode se dizer que a saúde mental é um termo usado para descrever o nível de qualidade de vida cognitiva ou emocional, ou seja, o pleno bem-estar físico, mental, social e espiritual do ser humano. Sendo assim, a saúde mental contribui para a qualidade de vida quando o indivíduo encontra-se em pleno estado de equilíbrio psicoemocional e torna-se protagonista de suas próprias ações, sem perder a noção de tempo e espaço. Quando vive a vida em sua plenitude máxima, de bem consigo mesmo e com os outros. Aceita as exigências da vida e sabe lidar com as boas emoções e também com as desagradáveis: alegria/tristeza; coragem/medo; amor/ódio; serenidade/raiva; ciúmes; culpa; frustrações. Reconhece seus limites e busca ajuda quando necessário. Dessa forma, podemos observar que a saúde mental e qualidade de vida são indissociáveis, uma está intrinsicamente relacionada a outra, ou seja, a qualidade de vida dependerá da boa saúde psíquica do indivíduo, por outro lado, a saúde mental requer mudanças nas atitudes e no comportamento que levam a estilos de vida saudáveis no sujeito. Nesse caso podemos citar algumas atitudes que contribuirão para a saúde psicoemocional da pessoa e consequentemente para sua qualidade de vida, como: Atitudes positivas em relação a si próprio: nossas respostas aos acontecimentos do dia a dia são determinadas pela maneira como nos vemos. Ou seja, a nossa autoestima é a resposta para os nossos sucessos e fracassos; crescimento, desenvolvimento e auto realização: devemos sempre estar envolvidos em novos projetos de vida, seja social, profissional ou religiosos. Isso nos ajuda a ser reconhecidos enquanto sujeitos individual e social e promove nosso crescimento enquanto cidadão; Integração e resposta emocional: o pensamento atua como um ponto de partida. Pensamos, sentimos e depois exteriorizamos. Nossas emoções vêm do pensamento; Autonomia e autodeterminação: precisamos sempre exercer nossa autonomia, viver constantemente sobre pressão, em especial no trabalho, tem sido uns dos fatores que tem levado muitas pessoas ao adoecimento mental. Percepção apurada da realidade: é preciso reconhecer que saúde mental é o equilíbrio emocional entre o patrimônio interno e as exigências ou vivências externas. É a capacidade de administrar a própria vida e as suas emoções dentro de um amplo espectro de variações sem contudo perder o valor do real e do precioso. Lembre-se manter a saúde mental é um processo diário e que pode ser alcançado através de atitudes simples e que estão ao alcance de todos.


Eraldo Carlos Batista é Bacharel em Psicologia, Especialista em Saúde Mental pela Universidade Católica Dom Bosco (UCDB) de Campo Grande – MS, Mestre em Psicologia pela Universidade Federal de Rondônia (UNIR), Doutorando em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS)/Faculdade Católica de Rondônia (FCR), Professor da Faculdade São Paulo (FSP) de Rolim de Moura e atua como Psicólogo na Secretaria Municipal de Saúde (SEMUSA) do mesmo município.

sábado, 1 de agosto de 2015

Considerações em torno do ato de estudar

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Paulo Freire

Toda bibliografia deve refletir uma intenção fundamental de quem a elabora: a de atender ou a de despertar o desejo de aprofundar conhecimentos naqueles ou naquelas a quem é proposta. Se falta, nos que a recebem, o ânimo de usá-la, ou se a bibliografia em si mesma, não é capaz de desafiá-los, se frustra, então a intenção fundamental referida. A bibliografia se torna um papel inútil, entre outros, perdido nas gavetas das escrivaninhas. Essa intenção fundamental de quem faz a bibliografia exige um triplo respeito: a quem ela se dirige, aos autores citados e a si mesmos. Uma relação bibliográfica não pode ser uma simples cópia de títulos, feita ao acaso, ou por ouvir dizer. Quem a sugere, deve saber o que está sugerido e por que o faz. Quem a recebe, por sua vez, deve ter nela, não uma prescrição dogmática de leituras, mas um desafio. Desafio que se fará mais concreto na medida em que comece a estudar os livros citados e não só a lê-los por alto, como se os folheasse, apenas. Estudar é, realmente um trabalho difícil. Exige de quem o faz uma postura crítica sistemática. Exige disciplina intelectual que ano se ganha a não ser praticando-a. Isto é, precisamente, o que a “educação bancária”* não estimula. Pelo contrário, sua tônica reside fundamentalmente em matar nos educandos a curiosidade, o espírito investigador, a criatividade. Sua “disciplina” é a disciplina para a ingenuidade em face do texto, não para a indispensável criticidade. Este procedimento ingênuo ao qual o educando é submetido, ao lado de outros fatores, pode explicar as fugas ao texto, que fazem os estudantes, cuja leitura se torna puramente mecânica, enquanto, pela imaginação, se deslocam para outras situações. O que se lhes pede, afinal não é a compreensão do conteúdo, mas sua memorização. Em lugar de ser o texto e sua compreensão, o desafio passa a ser a memorização do mesmo. Se o estudante consegue fazê-lo, terá respondido ao desafio. Numa visão crítica, as coisas se passam diferentemente. O que estuda se sente desafiado pelo texto em sua totalidade e seu objetivo é apropriar-se de sua significação profunda. Esta postura crítica, fundamental, indispensável ao ato de estudar, requer de quem a ele se dedica:
a)     Que assuma o papel de sujeito deste ato.
Isto significa que é impossível um estudo sério se o que estuda se põe em face do texto como se estivesse magnetizado pela palavra do autor, à qual emprestasse uma força mágica. Se se comporta passivamente, “domesticamente”, procurando apenas memorizas as afirmações do autor. Se se deixa “invadir” pelo que afirma o autor. Se se transforma numa “vasilha” que deve ser enchida pelos conteúdos que ele retira do texto para pôr dentro de si mesmo.
Estudar seriamente um texto é estudar o estudo de quem, estudando, o escreveu. É perceber o condicionamento histórico-sociológico do conhecimento. É buscar as relações entre o conteúdo em estudo e outras dimensões do conhecimento. Estudar é uma forma de uma forma de reinventar, de recriar, de reescrever – tarefa de sujeito e não de objeto. Desta maneira, não é possível a quem estuda, numa tal perspectiva, alienar-se ao texto, renunciando assim à sua atitude crítica em face dele.
A atitude crítica no estudo é a mesma que deve ser tomada diante do mundo, da realidade, da existência. Uma atitude de adentramento com a qual se vá alcançando a razão de ser dos fatos cada vez mais lucidamente.
Um texto estará tão melhor estudado quando, na medida em que dele se tenha uma visão global, a ele se volte, delimitando suas dimensões parciais. O retorno ao livro para esta delimitação aclara a significação de sua globalidade.
Ao exercitar o ato de delimitar os núcleos centrais do texto que, em sua interação, constituem sua unidade, o leitor crítico irá surpreendendo todo um conjunto temático, nem sempre explicitado no índice da obra. A demarcação destes temas deve atender também ao referencial de interesse do sujeito leitor.
Assim é que, diante de um livro, este sujeito leitor pode ser despertado por um trecho que lhe provoca uma série de reflexões em torno de uma temática que o preocupa e que não é necessariamente a de que trata o livro em apreço. Suspeitada a possível relação entre o trecho lido e sua preocupação, é o caso, então, de fixar-se na análise do texto, buscando o nexo entre seu conteúdo e o objeto de estudo sobre que se encontra trabalhando. Impõe-se-lhe uma exigência: analisar o conteúdo do trecho em questão, em sua relação com os precedentes e com os que a ele se seguem, evitando, assim, trair o pensamento do autor em sua totalidade.
Constatada a relação entre o trecho em estudo e sua preocupação, deve-se separá-lo de seu conjunto, transcrevendo-o em uma ficha com um título que o identifique com o objeto específico de seu estudo. Nestas circunstâncias, ora pode deter-se, imediatamente, em reflexões a propósito das possibilidades que o trecho lhe oferece, ora pode seguir a leitura geral do texto, fixando outros trechos que lhe possam aportar novas meditações.
Em última análise, o estudo serio de um livro como de um artigo de revista implica não somente numa penetração crítica em seu conteúdo básico, mas também numa sensibilidade aguda, numa permanente inquietação intelectual, num estado de predisposição à busca.
b)     Que o ato de estudar, no fundo é uma atitude frente ao mundo.
Esta é a razão pela qual o ato de estudar não se reduz à relação leitor-livro, ou leitor-texto.
Os livros em verdade refletem o enfrentamento de seus autores com o mundo. Expressam este enfrentamento. E ainda quando os autores fujam da realidade concreta estarão expressando a sua maneira deformada de enfrentá-la. Estudar é também e sobretudo pensar a prática e pensar a pratica é a melhor maneira de pensar certo. Desta forma, quem estuda não deve perder nenhuma oportunidade, em suas relações com os outros, com a realidade, para assumir uma postura curiosa. A de quem pergunta, a de quem indaga, a de quem busca.
O exercício desta postura curiosa termina por torná-la ágil, do que resulta um aproveitamento maior da curiosidade mesma.
Assim é que se impõe o registro constante das observações realizadas durante uma certa prática; durante as simples conversações. O registro das ideias que se têm e pelas quais se é “assaltado”, não raras vezes, quando se caminha só por uma rua. Registros que passam a constituir o que Wright Mills chama de “fichas de ideias”**.
Estas ideias e estas observações, devidamente fichadas, passam a constituir desafios que devem ser respondidos por quem as registra.
Quase sempre, ao se transformarem na incidência da reflexão dos que as anotam, estas ideias os remetem a leituras de textos com que podem instrumentar-se para seguir em sua reflexão.
c)     Que o estudo de um tema específico exige do estudante que se ponha, tanto quanto possível, a par da bibliografia que se refere ao tema ou ao objeto de sua inquietude.
d)     Que o ato de estudar é assumir uma relação de diálogo com o autor do texto, cuja mediação se encontra nos temas de que ele trata. Esta relação dialógica implica na percepção do condicionamento histórico-sociológico e ideológico do autor, nem sempre o mesmo do leitor.
e)     Que o ato de estudar demanda humildade.
Se o que estuda assume realmente uma posição humilde, coerente com a atitude crítica, não se sente diminuído se encontra dificuldades, as vezes grandes, para penetrar na significação mais profunda do texto. Humilde e crítico, sabe que o texto, na razão mesma em que é um desafio, pode estar mais além de sua capacidade de resposta. Nem sempre o texto se dá facilmente ao leitor.
Neste caso, o que deve fazer é reconhecer a necessidade de melhor instrumentar-se para voltar ao texto em condições de entendê-lo. Não adianta passar a página de um livro se sua compreensão não foi alcançada. Impõe-se, pelo contrário, a insistência na busca de seu desvelamento. A compreensão de um texto não é algo que se recebe de presente. Exige trabalho paciente de quem por ele se sente problematizado.
Não se mede o estudo pelo número de páginas lidas numa noite ou pela quantidade de livros lidos num semestre.
Estudar não é um ato de consumir ideias, mas de criá-las e recriá-las.


[1] Escrito em 1968, no Chile, este texto serviu de introdução à relação bibliográfica que foi proposto aos participantes de um seminário nacional sobre educação e reforma agrária.
* Sobre “educação bancária”, ver Paulo Freire, Pedagogia do Oprimido, Editora Paz e Terra, Rio de Janeiro, 1977, 4ª ed., (N.E.).
** Wright Mills – The Sociological Imagination

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014


QUEM CANTA SEUS MALES ESPANTA: RELATO DE EXPERIÊNCIA DE UMA OFICINA DE MÚSICA COM USUÁRIOS DE UM CAPS NO INTERIOR DE RONDÔNIA*



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Sabe-se que a música promove estimulações, que se bem utilizadas, podem promover ao bem-estar psicológico e emocional. Assim, as atividades artísticas e musicais por meio de suas influências psicológicas positivas, tornam ferramentas primordiais no avanço do tratamento sobre o comportamento do indivíduo. Participar de atividades musicais pode proporcionar ao indivíduo melhorias na sua criatividade, comunicação, socialização, na promoção do seu bem-estar físico e psíquico, bem como elevar sua autoestima. No campo da saúde mental, as oficinas terapêuticas com atividades artísticas e musicais são importantes subsídios no processo de reabilitação psicossocial da pessoa em sofrimento psíquico. Por reabilitação psicossocial entende-se o conjunto de práticas que visam potencializar as possibilidades da pessoa em sofrimento psíquico para se integrar à sociedade de forma harmônica, respeitando-se as características individuais de cada sujeito (VALLADARES et al., 2003). É por meio destas oficinas que a proposta de reinserção do sujeito no contexto social pode ser realmente cumprida na prática. O presente trabalho trata-se de um relato de experiência com um grupo de usuários e acompanhantes participantes de uma oficina de música do Centro de Atenção Psicossocial (CAPS) do município de Rolim de Moura – RO. A oficina faz parte de um projeto de extensão denominado “Quem canta seus males espanta: música, saúde mental e cidadania”. O objetivo do projeto consiste em proporcionar aos usuários e acompanhantes do CAPS um momento de bem estar, acolhimento e humanização por meio de atividades artísticas e musicais que levem em consideração o âmbito biopsicossocial dos sujeitos participantes; Auxiliar no processo de reabilitação psicossocial do usuário visando recuperar sua autonomia e sua reinserção nas atividades cotidianas. O projeto é desenvolvido pela equipe do CAPS e por estudantes de psicologia. Os encontros com os usuários acontecem uma vez por semana onde são realizadas várias atividades árticas e musicais desenvolvidas pela equipe e também pelo grupo. As atividades desenvolvidas são: dinâmicas de relaxamento, roda de conversa, apresentação musical individual e em grupo, e declamação de poesia. Os benefícios encontrados foram sentimento de acolhida, espaço para ser escutado e para externalizar emoções como raiva, tristeza, alegria e sentimento de relaxamento.

* Trabalho apresentado no IV Congresso de saúde mental em Manaus
** Todas imagens foram autorizadas por escrito pelos usuários

domingo, 25 de agosto de 2013

A influência da música na saúde mental


por: Ivone Boechat
A música se destaca dentre as expressões artísticas desde os primórdios da narrativa bíblica. No século VI a.C., Pitágoras afirmava: "a música e a dieta são os dois principais meios de limpar a alma e o corpo e manter a harmonia e a saúde de todo organismo". Nada no planeta "escapa" aos efeitos da música. Ela interfere em tudo que se refere aos seres vivos: na digestão, na produção de secreções, na circulação sanguínea, nas batidas cardíacas, na respiração, nutrição, etc... nas inteligências. O alemão Tartchanoff, especialista nos fenômenos cerebrais, provou que "a música exerce poderosa influência sobre a atividade muscular, que aumenta ou diminui, de acordo com o ritmo, o volume, o estilo, em qualquer atividade". Os sons são dinamogênicos, isto é, aumentam a energia muscular em função de sua intensidade e ritmo. Ou o inverso: a música pode paralisar. O uso errado da música encurta a vida e, corretamente usada, ajuda a preservá-la. As batidas cardíacas podem ser reguladas ou transtornadas pelos sons musicais. O rock, por exemplo, faz mal à saúde física e mental e vicia, tanto quanto qualquer droga química. Um rock-dependente submetido a um tratamento de desintoxicação mental demora a curar a desarmonia no seu metabolismo. Já os ritmos harmoniosos são estimulantes, sedativos, ajudam a recuperar o sono e fixam a memória. A medicina usa a música na terapia de: partos, cirurgias, tratamentos dentários etc. Empresas entretêm pacientes em sala de espera com música suave, neutralizando a ansiedade. Médicos de Los Angeles, EUA, selecionam músicas para relaxar no tratamento de pacientes com dores. No Brasil, a música já é usada na recuperação de doentes terminais. Há muito, sabe-se que a música estimula a produção no trabalho. Em restaurantes, ela estimula o apetite, o romantismo, a confraternização, as comemorações. Nos quartéis, desperta o espírito cívico. A Bíblia conta, por exemplo, que o rei Jeosafá usou um grandioso coral e uma banda de música para intimidar o inimigo (2 Cr 20). Ganhou a batalha! Shakespeare dizia que a música: "presta auxílio a mentes enfermas, arranca da memória uma tristeza arraigada, arrasa as ansiedades escritas no cérebro e, com seu doce e esquecedor antídoto, limpa o seio de todas as matérias perigosas que pesam sobre o coração". Para cada ambiente, há ritmos, sons e volumes apropriados. Porém, o volume acima de 70 decibéis, segundo órgãos internacionais de saúde, pode causar espasmos e lesões cerebrais irreversíveis. Mais de 90 decibéis, e o excesso sonoro e rítmico calcificam parcialmente o cérebro, bloqueando a memória. A epilepsia musicogênica resulta do excesso de ruídos musicais, incluindo convulsões. A lesão produzida pelo mau uso do som pode até matar, se a vítima não for adequadamente tratada. Desde o quarto mês de gestação, os bebês já podem ouvir. A ansiedade de uma grávida onde o som ultrapassa limites seguros é percebida e registrada pelo feto. Hoje, muitos jovens têm problemas de audição comuns em idosos, o que explica o volume exagerado de músicas em festas e cultos. Isso leva a sons cada vez mais altos. Outros efeitos negativos são irritabilidade, memória confusa, baixa aprendizagem, baixa autoestima, insônia, cefaleia, vômitos, impotência, morte etc. Na Alemanha, um estudo revelou que 70 decibéis sistemáticos de música causam constrição vascular - mortal, se as artérias coronárias já estiverem estreitadas pela arteriosclerose. É comum o mal-estar súbito em pessoas durante festas em que a música é uma arma. Por outro lado, a música sensibiliza, entusiasma, fortalece a memória, consola; tranquiliza, desperta a atenção, estimula a inteligência.







sábado, 17 de agosto de 2013

Os "10 pecados" de psicólogos e analistas


 

Lista enumera "10 pecados" de psicólogos e analistas
Por: FLÁVIA MANTOVANI
da Folha de S.Paulo

A dona de casa Elisandra Bonfim, 28, fez terapia durante 12 anos. Teve duas psicólogas, chegou a ter sessões todos os dias da semana e gostava do processo. Mas diz que, com a última delas, que a atendeu por cinco anos, nunca teve coragem de ir para o divã.
Tinha medo de que a terapeuta dormisse, pois ela bocejava com frequência. "Acho que ela estava cansada naquela época, mas eu ficava muito incomodada com isso, pois acontecia em quase toda sessão. Cheguei a falar com ela, mas nada mudou", conta.
Outro problema era o fato de a profissional olhar demais para o relógio. "Sei que não pode passar da hora, mas eu ficava irritada com isso. Às vezes eu estava contando alguma coisa, tinha vários sentimentos envolvidos ali", lembra.
Nem por isso a terapeuta era pontual, diz Elisandra. Uma vez, chegou quando faltavam só dez minutos para o fim da sessão -foi preciso remarcar o encontro e voltar outro dia. "Ficava ansiosa, na expectativa. Tudo o que tinha planejado falar sumia da minha mente."
As atitudes descritas por Elisandra são algumas das citadas em uma lista que traz 12 maus hábitos que todo terapeuta deveria evitar. O autor também é psicólogo: o americano John Grohol, criador do portal Psych Central (www.psychcentral.com), acessado mensalmente por 800 mil pessoas e eleito um dos 50 melhores de 2008 pela revista "Time".
Segundo Grohol, a relação entre terapeuta e cliente é única: pode ser mais íntima do que o mais íntimo dos relacionamentos, mas, paradoxalmente, exige uma distância profissional. "Os terapeutas são tão humanos quanto seus pacientes e possuem as mesmas fobias. Eles têm maus hábitos, como todos nós temos, mas alguns deles podem realmente interferir no processo terapêutico", escreveu.
Folha selecionou dez comportamentos citados por Grohol e pediu a especialistas brasileiros que os comentassem. Muitos deles não são um problema quando ocorrem isoladamente, mas podem atrapalhar a terapia quando se tornam um hábito.
Se eles passam a incomodar o paciente, a recomendação é ser sincero. "O paciente tem o direito de expressar as necessidades dele", diz a psicóloga Regina Wielenska, supervisora de terapia comportamental do curso de terapia comportamental e cognitiva do Hospital Universitário da USP (Universidade de São Paulo). Wielenska lembra, porém, que algumas pessoas vão para a terapia justamente por terem dificuldade de se expressar.
"É o pior dos mundos quando o terapeuta tem atitudes inadequadas e o cliente não consegue se proteger delas. O melhor é quando ele se sente em condições de comunicar quando não concorda com alguma coisa", afirma.

1 Comer na frente do paciente

Esporadicamente, no caso de uma sessão extra pedida pelo paciente e marcada no horário de uma refeição, por exemplo, a atitude é aceitável, afirma o psicólogo Roberto Banaco, professor titular da PUC-SP.

"É melhor oferecer apoio ao cliente comendo do que negar esse apoio por falta de horário", diz Banaco. Mas necessidades pessoais como essa deveriam acontecer em outro contexto. "Comer na sessão mostra desrespeito pelo paciente", diz Wielenska.
O terapeuta da estudante Denise Thornberg, 22, transformou isso num hábito. Nas sessões, consumia Coca-Cola light e confeitos de chocolate. "Ele estava sempre com uma garrafinha de Coca na mão. Eu não gostava", conta.
Para o médico e psicanalista Sérgio Cyrino, filiado à Federação Brasileira de Psicanálise, isso não deve ocorrer jamais. "O analista não deve comer, oferecer ou aceitar comida."

2 Atender ao telefone

Emergências acontecem. O terapeuta pode ter de atender um paciente internado ou com risco de suicídio, por exemplo.
Nesse caso, o mais aconselhável é avisar antecipadamente ao paciente que isso pode acontecer e ser breve. "Se existir essa possibilidade, o terapeuta deveria dizer que, em caráter excepcional, pode ser necessário atender a uma ligação urgente. Mas isso deve ser raro, não pode se tornar um hábito", afirma Wielenska.
Atender a ligações de outro tipo é desaconselhável. "Imagine quando se interrompe um comunicado [do paciente] de intenso conteúdo emocional bem no meio. A compreensão, ao ser fragmentada, perde todo o sentido. O paciente se sente deixado em segundo plano. Como é que se conserta isso depois?", diz Cyrino.

3 Tomar notas em excesso

A figura do analista com um bloquinho na mão, que aparece em charges e filmes, é um falso símbolo da psicanálise, diz Cyrino. "Freud não anotava durante as sessões porque isso fragmenta a compreensão da situação da análise. Quem interrompe para tomar notas perde o fio da meada. O pensamento é muito mais rápido do que a palavra escrita. E o paciente se sente perseguido."
Para Banaco, anotações, quando ocorrem, podem ser feitas rapidamente por meio de palavras-chave, como lembretes para serem "recheados" com conteúdos nos intervalos entre sessões.
Denise Thornberg conta que seu terapeuta escrevia tanto que a incomodava. "Ele não me olhava nos olhos." Para Wielenska, o terapeuta deve pedir autorização para anotar e manter o contato com ele enquanto faz isso. "Quem trabalha frente a frente com alguém deve preservar o olhar e a atenção."

4Atrasar-se para a sessão